Técnicos gaúchos participam na Itália de colheita de olivas
No Brasil a meta é chegar a mil hectares até o final do ano

O coordenador da Câmara Setorial de Uva, Vinho e Oliveiras da Secretaria Estadual da Agricultura, Jorge Hoffmann, e técnicos da macro região de Bagé, que engloba Hulha Negra, Candiota, Caçapava do Sul, Pinheiro Machado e Santana do Livramento, desembarcaram nesta segunda-feira (18) na região de Perugia, na Itália.
Eles vão participar, durante uma semana, da colheita e do beneficiamento de olivas, dentro do projeto Brasil Próximo, de integração entre os dois países, coordenado pela Presidência da República. “Isso se reveste (a missão) de importância visto que ampliaremos conhecimentos sobre o tema, uma vez que o azeite italiano é um dos mais conceituados do mundo, e o produzido no Estado já o melhor do Brasil, conforme pesquisa de revista especializada”, disse Hoffmann.
Há três semanas, em outra missão, os governos do RS e da Palestina assinaram protocolo de cooperação técnica e criaram um grupo para troca de experiências mercadológicas. Lá, a produção de olivas totaliza 90 mil hectares. Cem mil famílias, com média de quatro pessoas, estão na atividade. O excedente de dez mil toneladas fez com que o governo gaúcho se comprometesse a ajudar na importação.
Aqui, nos últimos três anos, o setor teve um incremento. A meta é chegar a mil hectares até o final do ano. Segundo Hoffmann, a produção ainda é pequena se comparada a outros países. “Nossos pomares são novos e a oliveira não tem produção constante – o que estamos buscando”.
De 2011 pra cá, a Secretaria da Agricultura criou a Câmara Setorial das Oliveiras e constituiu, a partir de reuniões, dois grupos de trabalho. Um deles, mais técnico, atua na questão da qualidade. Conforme legislação, enviaram ao Ministério da Agricultura oficio solicitando mais rigor na fiscalização da entrada e comercialização dos azeites estrangeiros vendidos no país.
Atestando a qualidade da produção gaúcha, Hoffmann faz referência a pesquisa publicada recentemente por revista brasileira especializada que analisou 19 marcas de azeites. As amostras feitas em laboratório por técnicos indicaram que apenas oito produtos podem ser considerados extra-virgem, embora todos se intitulassem.
O mais preocupante é que, dentre todos, quatro foram tidos como fraudes. Destes, alguns são apenas virgens e outros o que chamam de lampantes (com mais de 2% de acidez, utilizados para fins industriais e não costumam ser vendidos em supermercados). O de melhor qualidade, segundo a avaliação, vem do RS: o Olivas do Sul, fabricado na região da Cachoeira do Sul, recebeu nota 8.
A qualificação dos produtores também faz parte das ações do grupo. A Emater presta assistência técnica nos municípios com pomares. A Embrapa é a responsável por qualificar os técnicos. O outro grupo, no entanto, atua diretamente no mercado.
Trata de questões como financiamentos e importação de máquinas, duas das demandas mais solicitadas pelo setor. “Nesse sentido, já nos reunimos com a Fiergs para buscar apoios logístico e institucional”.